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Cite 2000/ Cite 2001

Sub- Programa 1

"Apoio a Projectos ID"

Tendo em conta uma observação realizada no espaço institucional, e com base numa “amostra” de pessoas portadoras de deficiência às quais a AFID dá suporte, verificou-se a existência, neste mesmo ceio, de um obstáculo que deixaria de servir como motor para que a integração/reabilitação tomasse espaço numa sociedade plena de exigências, falamos então da comunicação.

Concretamente e transportando-nos até ao dia-a-dia destas mesmas pessoas, debatemo-nos com a necessidade de criar um fio condutor comum para a comunicação, sistematizando desta forma certos elementos que permitissem uma continuidade comunicativa independente de técnicos e familiares.

Então, e tendo como suporte as tecnologias de informação, iniciamos o descortinar de certas barreiras, e ao mesmo tempo em sucessivas tentativas, encontrar instrumentos facilitadores de um processo de integração social das pessoas portadoras de deficiência, bem como de jovens em risco social.

Neste mesmo âmbito e integrado num projecto de investigação e desenvolvimento intitulado Cite 2000, propusemo-nos a criar um local facilitador do processo dinâmico de comunicação entre utentes, que simultaneamente fosse adaptável à sua natureza, o qual designamos de Laboratório Multimodal de Comunicação Aumentativa- “Intercomunicando”; e no seu seguimento Cite 2001, “Recria”- Rede para a Comunicação e Reabilitação/Integração Apoiado por Computador, de Pessoas com Necessidades Educativas Especiais (NEE) .

Contamos nesta “batalha” com a parceria do IST- Instituto Superior Técnico ( na construção e adaptação de software e hardeware), bem como o ISPA- Instituto Superior de Psicologia Aplicada( avaliando comportamentalmente o grupo a intervir).

As novas tecnologias de informação surgiram nestes projectos como facilitadoras da interacção entre os elementos do grupo com diferentes graus de cultura, conhecimento, capacidades motoras, psíquicas e afectivas.

Ultrapassamos desta maneira ideias anteriormente concebidas, as quais referiam que a inteligência seria determinada antes do nascimento.

Aplicamos a este grupo de pessoas portadoras de deficiência, um programa de software(Comunicando), cujo nível de dificuldade aumentou lentamente, dividindo o material em pequenas unidades.

Os sistemas de linguagem que ficaram definitivamente ligados a este projecto, para além naturalmente da língua portuguesa, sobretudo na sua expressão oral, foram os sistemas pictográficos, vulgarmente conhecidos como “Makaton”, “SPC”, e “PIC”.

Estes sistemas, de índole holística, puderam facilmente ser absorvidos para outra linguagem universalista- a pictórica- possibilitando assim uma discussão e desconstrução semântica mais eficaz dos símbolos com vista à sua assimilação efectiva. O desenho e o uso da cor segundo a lógica das tabelas de comunicação e mimetizando o seu aspecto formal, possibilitou assim a sua compreensão objectiva e para além de tudo, e esse era o nosso desejo também, permitiu a introdução do uso de tabelas nas rotinas naturais da comunicação, em sistema, pelo menos neste ambiente/escola e na família deste primeiro laboratório multimodal de comunicação aumentativa.

Assim, interessa nomear os dois modelos dinâmicos  que presidiram ao ensino destes sistemas , e da sua utilização com a última finalidade de conduzir este esforço comunicativo para o suporte telemático (on-line), abrindo enfim as portas do ambiente “Cite” para o ambiente “World, Wide, Web”, utilizando naturalmente o veículo da aplicação do “Intercomunicando”, já operacional.

O primeiro modelo, o representativo, define-se pelo uso recorrente a processos miméticos, quer através do recurso ao desenho, quer através do desempenho, teatralizado, ambos orientados para a nomeação dos referentes, ou seja, para a identificação e compreensão das situações, indivíduos, e objectos( Social, pessoas, substantivos), o segundo modelo, o narrativo define-se pela utilização de estratégias como o jogo sistémico, o desenho de sequência ou acção, próximo da banda desenhada, ambos orientados para a relação, para a qualificação e para as significações mais complexas e abstractas ( verbos, adjectivos, diversos).

Este segundo modelo, suportado pelo rigor do primeiro, tem por base as primeiras utilizações do “Intercomunicando”, que  a funcionar por enquanto em rede fechada, não admite grande número de intervenientes interactivamente.

Criou-se desta forma, um simulacro ( dentro desta sala, quer dos chat rooms, bem como da comunicação à distância), que possibilita uma habilitação mais estruturada para o aproveitamento óptimo dos novos instrumentos de comunicação aumentativa( adossando às ajudas técnicas, já com um muito elevado nível de adequação, às limitações da população que as utiliza), o ensino construtivo do uso da linguagem.

É neste momento cronológico, o nosso “cairos”, o tempo simbólico aglutinado ao ritmo de crescimento do nosso laboratório, e enfim já próximo do tempo real, on- line.

Somente assim, conseguimos de uma forma “Cartesiana”, transformar o gesto significante numa comunicação materializada, repleta de significado.

Edite Antunes